sexta-feira, 11 de julho de 2008

O AMOR É LINDO


Quando um jornalista do primeiro time encontra a presidente da suprema corte do país, o resultado pode ser uma entrevista reveladora, uma grande reportagem, um confronto de pontos de vista. No caso do jornalista Roberto D’Avila e da ministra Ellen Gracie Northfleet, o encontro acabou em romance. Ela foi a primeira mulher nomeada para o Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2000, e presidiu um dos mais importantes julgamentos da história do Tribunal – a denúncia contra os 40 acusados do mensalão. Ele, ex-deputado constituinte, se tornou conhecido do público pelas entrevistas na TV com grandes personagens, como o ditador cubano Fidel Castro, o presidente da França François Mitterrand e o líder sul-africano Nelson Mandela. Ellen conheceu Roberto num jantar na casa do cirurgião Raul Cutait, no começo de março. Na semana passada, como tantos casais em lua-de-mel, eles estavam em Madri, aproveitando as noites brancas do verão espanhol.
O começo do namoro coincidiu com o fim do período de Ellen Gracie na presidência do STF, no fim de março. De lá para cá, ela se encontra com D’Avila em restaurantes, salas de concerto e casas de amigos em Brasília, ou no Rio de Janeiro, onde ele mora, numa suíte do Copacabana Palace. Eles não fazem alarde do relacionamento, mas também não escondem o namoro na clandestinidade. “E nem temos por que esconder nada”, disse a ministra a ÉPOCA, pelo telefone do namorado. “Quando um homem e uma mulher se encontram e estão gostando um do outro, é isso que acontece, não importa que sejam juízes, jornalistas, médicos ou advogados”.
Aos 60 anos, divorciada e mãe de uma filha – Clara, que vai se casar em setembro –, Ellen Gracie tem jurisprudência firmada sobre o direito de amar. “As pessoas, sejam homens ou mulheres, têm direito a uma vida afetiva assim como têm direito à vida profissional”, afirmou a ministra. Roberto D’Avila, de 59 anos, separado e pai de duas filhas, Andréa e Lara, conta que não sentiu nenhum constrangimento em se apaixonar por sua “notícia”. Entre jornalistas no mundo inteiro, uma espécie de tabu diz que repórteres devem ter uma relação estritamente profissional com as autoridades, o que jamais impediu casamentos entre jornalistas e autoridades. “Conheci a Ellen, gostei e nem pensei nisso de relação entre jornalista e fonte”, disse D’Avila. “Eu já a considerava admirável, além de ser uma mulher bonita, elegante e cheia de classe. Quando a conheci pessoalmente, simplesmente me encantei.”
TESTEMUNHA

D’Avilla e Ellen no lançamento do livro de Zuenir. “Amor maduro com ímpetos de adolescência”, diz o amigo do casal. Ellen Gracie deu férias ao gabinete e deixou uma foto com o namorado em seu computador pessoal.
Um romance entre duas pessoas adultas e desimpedidas deveria ser um assunto estritamente particular. “Não há o que esconder, mas também não precisamos ficar expondo na vitrine”, disse a ministra Ellen, ao recusar, polidamente, o pedido de uma fotografia do casal em férias para publicação na revista. Essa mulher, que já tem lugar na história do país pela posição que alcançou, tornou-se notável também por opiniões avançadas em matéria legal, como a defesa do uso de células embrionárias em pesquisas científicas. Ao assumir o romance, demonstra a ousadia dos que não temem reconstruir a vida afetiva em idade madura. “Amar faz bem, e eles formam um bonito casal”, disse o ministro Marco Aurélio de Mello.
O namoro surpreendeu os colegas de Ellen Gracie no Supremo, onde ela firmou a imagem de ministra rigorosa nas decisões e tão criteriosa no comportamento pessoal que as aproximações ameaçam nunca passar da formalidade. Com D’Avila não foi diferente. Dono de merecida reputação de galanteador, o jornalista teve de cortejar a ministra ao longo de semanas antes de receber um veredicto favorável. A aproximação do casal foi fruto do acaso. Ellen Gracie era convidada para um jantar com a família de Raul Cutait, médico pessoal do pai da ministra, o brigadeiro reformado José de Barros Northfleet. A caminho de casa, o médico encontrou-se com Roberto D’Avila e o convidou de última hora. Dois dias depois, o jornalista desembarcou em Brasília, almoçou com a ministra e a levou, à noite, a um concerto no Teatro Nacional. Houve mais encontros, mais jantares, até que, no fim de março, o jornalista anunciou a novidade ao cupido. “Roberto me telefonou para dizer que estavam juntos”, disse Cutait. “Espero que sejam felizes”.

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